A ESTRADA DA MORTE, NA BOLÍVIA. O QUE ACHAMOS.


O nome é assustador e, considerando os acidentes existentes, inclusive com ciclistas, o friozinho na barriga é inevitável e a vontade de desistir vai até o último minuto. O Camino de Los Yungas ou Estrada da Morte (Death road), foi construída por prisioneiros paraguaios durante a guerra do Chaco, em 1930. Consiste em comunicar a cidade de La Paz (4.650 m altitude) a cidade de Coroico (1.200 m). 
Fiz opção pela empresa Gravity, indicado por amigos blogueiros e pelo pessoal do hotel. Muito bem recomendada. Um dia antes, fui ao escritório da empresa, bem perto da Rua das Bruxas, no centro de La Paz. Por  vezes me perguntava o que estava fazendo ali, mas subi a escada e resolvi fechar o contrato. Sim, temos que assinar um contrato tomando ciência dos riscos. Importantíssimo possuir um seguro de saúde que cubra esportes radicais. Providência a ser tomada no processo de organização da viagem. A escolha do material é de extrema importância. O capacete, as roupas e a bicicleta são escolhidas nesse momento. A bicicleta utilizada pela empresa possui excelente qualidade, com amortecedores e todos os itens necessário para o passeio. Paguei o equivalente a quatrocentos reais.Sugiro uma adaptação inicial com a altitude local, de pelo menos dois dias antes do dia previsto para a saída, pois o desgaste físico é realmente considerável.
Finalmente é chegado o dia. Às sete horas, estávamos todos organizados, no centro da cidade. Dois grupos de dez pessoas, aproximadamente, são separados. Os guias falam em inglês e espanhol. 
O Primeiro trecho inicia-se em La Cumbre. Mais ou menos uma hora de La Paz. Em uma paisagem deslumbrante, com lago, montanhas e um frio imenso, descemos de nosso ônibus . Estávamos a 4.700 m de altitude. O déficit de oxigênio era desconfortável,  mas a vontade de concluir a meta o superava. A adrenalina estava a mil. Cada bicicleta recebia uma denominação específica. A minha era Orquídea. Grupo reunido, batismo feito ( chão, bike e um gole), orientações ofertadas e dúvidas esclarecidas, era chegada a hora. É fundamental vestir-se com várias camadas de roupas para o frio, embora se acabe descartando-as, ao longo do percurso.



O primeiro trecho possui 22 km em descida, no asfalto, com algumas paradas para mais orientações. Os carros e caminhões passam ao seu lado esquerdo e, do direito, desfiladeiro. No início, espontaneamente, vamos nos adaptando a bike, período que não dura muito, pois a descida, de certa forma, ajuda bastante neste sentido e, em contrapartida, nos impede de contemplar a belíssima paisagem, mesmo em grupos brandos, nos quais eu me enquadrava.  Finalizamos bem esses quilômetros iniciais.



O Segundo trecho é de terra firme e pedras, a verdadeira "Estrada da Morte", com 34Km de descida. A estrada, serpenteando a montanha, proporcionava elevação da freqüencia respiratória. A Floresta Amazônica estava ali, aos nossos olhos! Montanhas de até seis mil metros de altura, cachoeiras, animais e floresta virgem. Um dos perigos desse trecho são as pedrinhas na estrada de terra, pois, como proporcionam deslizamento, culminam, ocasionalmente, em acidentes. A estrada, em alguns trechos, possuem apenas três metros de largura, logo, todo cuidado tomado, ainda pode parecer pouco. E, como se não bastassem os perigos, é uma via de mão dupla. Quem quisesse desistir, poderia descer de ônibus, mas poucos o fizeram. Geralmente os acidentados ou os que alí foram para, exclusivamente, contemplar. Também nesse trecho, paramos em diversos pontos para orientações.


 




É bastante perigoso, todavia,  descendo em velocidade moderada, os riscos são minimizados. O controle da bicicleta nas curvas e a concentração do ciclista são os fatores mais importantes para evitá-los. Não se pode relaxar um minuto sequer. O perigo está em ficar confiante demais, tanto, que os acidentes acontecem nos trechos finais, quando se está cansado e confiante.


Passamos por cachoeiras lindas, paisagens deslumbrantes e chegamos ao fim de nosso passeio. Reunimos o grupo e comemoramos o feito com uma bela cervejada e almoço. Havia, no final, uma descida de tirolesa para quem desejasse. A terceira maior do mundo em altura. Meu grau de coragem já tinha acabado fazia tempo e, assim, desisti.
Quando achei que a volta seria mais tranquila, nosso ônibus fez o caminho inverso, ou seja, subiu por onde havíamos descido. Ai entendi o porque de tantas referências com o motorista. Neblina no topo das montanhas, penhascos, carros em sentido contrário. Adrenalina até o último minuto. Ida e volta.
Recebemos uma camisa de recordação desta verdadeira aventura.
Vale muito fazer o passeio, desde que se respeite as normas e seus limites.
Indico essa empresa, boa assistência e staff capacitado.
Passeio inesquecível.






Comente com o Facebook: